Esta semana ingressamos na primavera. Eu, particularmente, não tenho como esquecer esta estação, que representa tantos encontros e marcos significativos na minha vida.
A primavera está relacionada ao meu casamento: casei-me numa linda noite de lua cheia, no primeiro dia da primavera. Lembro-me dessa estação todas as vezes que olho, no meu jardim, para a orquídea que ganhei de presente do meu marido no aniversário do nosso casamento. Resistente como nós, ela floresce anualmente.
E eu e meu marido estamos florescendo juntos há 14 anos.
Talvez por isso a primavera sempre me faça pensar sobre florescimento, ciclos, renovação e autoconhecimento feminino. Não apenas sobre aquilo que floresce do lado de fora, mas principalmente sobre aquilo que, silenciosamente, começa a nascer dentro de nós.
A primavera e os florescimentos da minha própria vida
A primavera, na Bruxaria Natural, está relacionada ao elemento Ar, com o qual tenho significativa afinidade, sendo geminiana com ascendente em Libra, signo celebrado na primavera.
São muitas as referências da primavera e dos seus florescimentos em nós.
Para mim, essa estação surge como um convite para olharmos com mais alegria, equilíbrio e beleza para o nosso jardim interior — ou seja, para a nossa alma.
A natureza nos lembra que existem ciclos. Há momentos de recolhimento, de silêncio, de preparação e também momentos de expansão.
Nem tudo precisa florescer o tempo inteiro.
E talvez uma das maiores práticas de autoconhecimento seja justamente perceber em qual estação da vida estamos.
O que a primavera pode nos ensinar sobre o feminino
Em tempos de reatividade, solidão, escassez e medo, é muito natural olharmos para o futuro com cada vez mais insegurança e frustração.
Sempre que deito minhas cartas para mentoradas e consulentes, fica cada vez mais evidente para mim como é sutil sermos “devoradas” pelos problemas do cotidiano e nos desconectarmos da Fonte Criadora e da sabedoria do nosso Eu Superior.
Em cada desafio, existe a oportunidade de nos encontrarmos com a face Anciã e a face Mãe de cada uma de nós.
Faces que todas nós, mulheres, possuímos em nosso feminino e que, para serem ouvidas e integralizadas, exigem presença, meditação, sentir e ouvir — práticas cada vez mais raras para muitas de nós.
Em contraponto, estamos cada vez mais afinizadas com a face masculina, que é importante, sim, muitas vezes, mas não continuamente: a face da Heroína.
Aquela que está constantemente reativa, com a espada na mão, pronta para lidar com as batalhas e lutas, sem olhar para dentro do maior potencial feminino que existe em cada uma de nós: a própria alma e os seus desejos.
Heroína, Donzela, Anciã e Mãe: as faces do feminino
Percebo que muitas mulheres estão estacionadas ou na face Heroína ou na face Donzela — aquela que espera ser resgatada, estacionada no vitimismo, na validação externa ou mesmo na dependência emocional e financeira dos seus parceiros.
Longe de julgá-las, eu mesma já estive aprisionada nessas faces.
Meu propósito é sempre trazer uma reflexão sobre o quanto estamos desconectadas desse poder tão transformador do feminino: os hábitos de presença.
Porque existe uma diferença entre estar disponível para a vida e estar permanentemente em estado de reação.
A Heroína sabe lutar.
Mas será que ela sabe descansar?
A Donzela sabe esperar.
Mas será que ela sabe escolher?
A Anciã sabe escutar.
E a Mãe sabe nutrir.
Talvez o nosso caminho não seja escolher uma dessas faces, mas permitir que elas possam existir dentro de nós de maneira integrada.
O preço de não termos tempo para nós mesmas
E, antes que você me diga que não tem tempo, eu sei que você está sendo sincera comigo.
Eu, como esposa, mãe e empreendedora, sei o quanto é raro encontrar esse espaço.
Até porque não somos educadas e ensinadas a tê-lo.
Diferentemente dos homens, que muitas vezes não abrem mão do seu futebol, videogame ou bate-papo com os amigos, nós, mulheres, fomos ensinadas a abrir mão de nós mesmas.
Abrimos mão do descanso.
Do silêncio.
Dos encontros.
Dos sonhos.
Daquilo que desejamos fazer simplesmente porque desejamos.
O custo de não termos um espaço nosso de reencontro com o próprio ser e de compartilhamento entre outras mulheres, uma hora ou outra, será cobrado — seja pelo aniquilamento dos nossos sonhos e desejos, seja pela somatização da ausência do eu na própria saúde física e mental.
Não estou dizendo isso para colocar mais uma obrigação sobre os seus ombros.
Muito pelo contrário.
Estou dizendo porque acredito que presença também é uma forma de cuidado.
A presença como prática de autoconhecimento
Longe de deixar você ainda mais insegura, meu objetivo nesse nosso encontro semanal é trazer uma luz e ferramentas práticas para tornar sua vida feminina cada vez mais próspera e amorosa.
Para mim, autoconhecimento não acontece apenas quando nos sentamos para pensar sobre quem somos.
Ele também acontece quando criamos pequenos espaços para nos escutar.
Quando silenciamos.
Quando observamos nossos padrões.
Quando permitimos sentir.
Quando fazemos uma pergunta e temos coragem de esperar pela resposta.
Quando retornamos para nós mesmas.
Essas práticas são essenciais para nutrir a nossa fé e trazer cada vez mais presença para o único lugar onde podemos ser agentes das transformações que tanto desejamos: o momento presente.
Sem nutrirmos essas práticas, ficamos cada vez mais aprisionadas ao passado, à culpa e à procrastinação, nos distanciando da capacidade de agir no agora.
Jornada Florescer: um caminho de volta para si
Por essa razão, em outubro, eu te convido para viver comigo a prática da Jornada Florescer.
Nela, teremos encontros semanais, nos quais compartilharei contigo, ao vivo e online, ferramentas como o devocional com o Baralho Cigano, espaços mágicos com a Magia Natural, a Bruxaria e a Psicanálise.
Tudo isso para que, cada vez mais, você possa retornar ao seu Eu e se reaproximar do seu Eu Superior.
O Baralho Cigano, nesse caminho, não aparece apenas como uma ferramenta de consulta, mas como um instrumento de reflexão, presença e autoconhecimento.
Porque, muitas vezes, a pergunta que fazemos às cartas também nos ajuda a perceber aquilo que já estava tentando ser ouvido dentro de nós.
As cartas que orientaram esta reflexão
Antes de iniciar estas linhas, deitei as cartas para ter um direcionamento do que era essencial compartilhar contigo neste bate-papo.
As cartas foram justamente o Buquê — tão primaveril, como já disse Bebel —, a Lua e a Cigana.
Mais feminino que isso, eu desconheço.
O Buquê me fala sobre beleza, florescimento e aquilo que chega para trazer alegria.
A Lua me conduz para o mundo interno, para a sensibilidade, a intuição e aquilo que nem sempre conseguimos explicar racionalmente.
E a Cigana me lembra movimento, autonomia e a capacidade de caminhar pela própria história.
Talvez seja justamente essa combinação que eu gostaria de deixar como reflexão para você nesta primavera: florescer, sentir e caminhar.
Um convite para florescer
Que essa reflexão possa ser uma oportunidade de uma nova fase, já que restam poucos dias para o final deste ano de 2026.
Que você possa voltar a acreditar no feminino e no poder gerador que há em cada mulher que escolhe olhar para si com acolhimento e verdade e, assim, tornar o seu entorno cada vez mais nutrido e expansor.
Florescer não significa estar pronta.
Não significa ter todas as respostas.
Talvez florescer seja simplesmente permitir-se voltar para si.
E, a partir desse lugar, escolher novamente.
Vou compartilhar toda a Jornada Florescer por lá.
Eu te espero.
Com carinho,
Sibele


