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Conteúdos sobre Espiritualidade Feminina, Taroterapia e Feminino Ferido.

Quando o prazer vira proteção: como a ansiedade pode limitar a sua realização

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Sibele de Andrade

Sibele de Andrade

Sou taroterapeuta, publicitária e psicanalista, com 15 anos de experiência e resultados práticos guiando mulheres em jornadas de transformação profunda. Acredito que o verdadeiro sucesso nasce do equilíbrio entre autoconhecimento e expressão, entre cura e criação, entre alma e estratégia.

Tenho observado, nos atendimentos e também nas minhas próprias reflexões, como a ansiedade pode interferir na maneira como nos relacionamos com o prazer, com o desejo e com as escolhas que poderiam ampliar a nossa vida.

Skincare, delivery, compras de “achadinhos”, assinaturas de streaming, cursos online e outras formas de consumo podem fazer parte de uma vida prazerosa. Eu também reconheço o valor dessas pequenas recompensas. Elas podem representar autocuidado, descanso, praticidade e diversão.

O convite que faço aqui é para olharmos com mais atenção para a função que alguns desses prazeres ocupam na nossa rotina.

Em determinadas situações, eles podem se transformar em formas previsíveis de conforto. Enquanto isso, experiências que exigiriam mais presença, exposição e disposição para lidar com o desconhecido vão sendo adiadas.

Quero propor uma pergunta:

Quantas experiências de prazer você está trocando por uma tentativa de evitar desconfortos que talvez nem aconteçam?

O prazer conhecido parece mais seguro

Imagine uma mulher que deseja mudar de área profissional.

Ela pensa em fazer uma formação, enviar currículos, conversar com pessoas de outra área ou começar um projeto próprio. Porém, quando considera dar o primeiro passo, a ansiedade começa a apresentar uma sequência de possíveis problemas:

“E se eu não conseguir?” “E se eu ganhar menos?” “E se eu me arrepender?” “E se as pessoas acharem que eu fracassei?”

Diante desses pensamentos, ela adia.

Continua em uma situação profissional que já não deseja, enquanto investe em pequenas recompensas que consegue controlar. Compra produtos, acompanha lançamentos, salva cursos, assina plataformas e planeja mudanças que permanecem no campo das intenções.

Essas experiências podem oferecer prazer real. A questão aparece quando elas passam a ocupar, repetidamente, o espaço de experiências que poderiam produzir uma transformação mais profunda.

Uma compra pode trazer satisfação imediata. Uma transição de carreira exige tempo, incerteza, tentativa, frustração e contato com partes de nós mesmas que ainda precisam ser fortalecidas.

O prazer conhecido oferece previsibilidade. A mudança nos coloca diante de possibilidades que não conseguimos controlar completamente.

Por isso, em algumas situações, o consumo pode funcionar como uma forma de proteção diante do desconhecido.

A ansiedade transforma possibilidades em ameaças

A ansiedade pode fazer com que uma possibilidade seja sentida como se já fosse uma realidade.

A pessoa ainda não enviou o currículo, mas já sente o medo da rejeição.

Ainda não aceitou o convite, mas já imagina o julgamento.

Ainda não saiu de carro, mas já antecipa o trânsito, a falta de vaga e os riscos.

Ainda não começou o curso, mas já pensa que não conseguirá concluí-lo.

Pouco a pouco, o cenário imaginado ganha mais força do que a experiência concreta.

E, para evitar um desconforto que pode nem acontecer, a pessoa escolhe aquilo que oferece uma recompensa mais imediata e previsível.

Ela continua desejando. O desejo permanece presente.

O que começa a mudar é a relação entre desejo e ação.

A ansiedade passa a decidir quais experiências podem fazer parte da sua vida.

Quando o consumo ocupa o lugar da experiência

Uma compra pode proporcionar prazer. Um delivery pode representar descanso. Um produto de skincare pode ser uma forma de autocuidado. Um curso pode abrir uma possibilidade de aprendizado.

Mas vale observar quando o consumo passa a funcionar como uma resposta automática a sentimentos difíceis.

Isso pode aparecer quando:

  • compramos sempre que estamos frustradas;
  • pedimos comida para aliviar uma sobrecarga emocional;
  • iniciamos cursos para sentir que estamos avançando, mas nunca os realizamos;
  • assinamos conteúdos que não conseguimos acompanhar;
  • passamos horas escolhendo produtos para evitar uma decisão importante;
  • buscamos entretenimento continuamente para não entrar em contato com o próprio desconforto.

Não considero essas atitudes negativas em si mesmas. O que me interessa é perceber se elas estão acompanhadas de liberdade ou se estão se tornando uma maneira de não sentir, não escolher e não se movimentar.

Às vezes, acreditamos que estamos apenas nos presenteando, quando também podemos estar tentando nos proteger de uma experiência que exigiria mais presença.

O custo aparece em outras áreas da vida

Quando a ansiedade começa a organizar as nossas escolhas, o prejuízo nem sempre aparece imediatamente no orçamento.

Ele pode surgir como uma vida profissional que não se desenvolve, amizades que não são cultivadas, viagens que nunca saem do planejamento, atividades prazerosas sempre adiadas e uma rotina limitada à maternidade, ao trabalho e às responsabilidades.

Podemos estar consumindo, planejando e nos ocupando o tempo inteiro e, ainda assim, sentir que não estamos vivendo experiências que realmente desejamos.

Existe uma diferença entre ter muitos estímulos e ter uma vida ampliada.

Uma vida ampliada inclui espaço para o prazer, para a curiosidade, para os encontros, para o aprendizado e para experiências que não precisam cumprir uma função prática.

Quando tudo precisa ser útil, produtivo ou controlável, o prazer também pode acabar submetido à lógica da obrigação.

O autoconhecimento como caminho de saída

Para sair desse ciclo, precisamos compreender o que está sendo protegido.

Eu gosto de investigar perguntas como:

  • O que estou imaginando que pode acontecer?
  • O que esse cenário representa para mim?
  • Qual desconforto parece difícil de suportar?
  • Estou diante de um risco concreto ou de uma possibilidade que minha ansiedade ampliou?
  • O que deixo de viver quando escolho sempre o caminho mais previsível?
  • Que desejo continua esperando uma oportunidade de existir?

O autoconhecimento nos ajuda a perceber que determinados comportamentos possuem uma história. Eles podem estar relacionados ao medo de fracassar, à necessidade de aprovação, ao receio de ser julgada, à dificuldade de lidar com a rejeição ou ao desejo de manter tudo sob controle.

É nesse processo que diferentes práticas podem contribuir.

A Taroterapia pode funcionar como uma bússola simbólica para iluminar padrões, conflitos, medos e possibilidades. Em uma sessão individual e personalizada, utilizo as cartas como recurso de reflexão e autoconhecimento para ajudar a organizar as perguntas e compreender o momento vivido.

A psicanálise oferece um espaço de investigação sobre desejos, repetições, defesas e conflitos que participam das nossas decisões. Ela permite olhar para aquilo que nem sempre conseguimos compreender sozinhas.

A meditação e outros hábitos de presença podem ajudar a observar pensamentos e sensações antes de reagir automaticamente a eles.

O devocional com o Baralho Cigano, as preces e as afirmações positivas também podem fortalecer uma conexão espiritual individual, especialmente quando são utilizados como recursos de presença, reflexão, escuta da intuição e vínculo com aquilo que dá sentido à nossa vida.

Essas práticas não eliminam todos os medos. Elas nos ensinam a reconhecer o medo sem entregar a ele o comando de todas as nossas escolhas.

Da bússola ao mapa da transformação

A Taroterapia pode ajudar a reconhecer o território interno: onde estamos, o que estamos evitando, quais padrões se repetem e quais possibilidades estão sendo ignoradas.

Mas reconhecer é apenas uma parte do processo.

A transformação precisa continuar na vida cotidiana, por meio de pequenas práticas e decisões concretas:

  • aceitar um convite;
  • retomar uma atividade prazerosa;
  • realizar uma etapa de um curso;
  • pesquisar uma nova área profissional;
  • dirigir até um lugar desejado;
  • reservar tempo para si mesma;
  • experimentar algo sem exigir uma garantia de sucesso;
  • permitir que uma experiência aconteça sem tentar controlar todos os seus detalhes.

É nesse sentido que a Jornada Florescer pode representar a continuidade desse processo.

A sessão de Taroterapia oferece um primeiro olhar individual e personalizado. A Jornada Florescer propõe um caminho de aprofundamento, com reflexões, ferramentas práticas e experiências diárias para transformar consciência em presença, escolha e movimento.

A bússola ajuda a reconhecer a direção. O mapa ajuda a compreender o caminho. E a caminhada acontece por meio das pequenas escolhas que fazemos todos os dias.

Você não precisa abandonar o prazer

A proposta não é deixar de comprar, consumir, descansar ou buscar recompensas.

A proposta é recuperar a liberdade de escolher.

Você pode comprar um produto porque deseja. Pode pedir um delivery porque precisa descansar. Pode assistir a uma série porque isso lhe dá prazer. Pode fazer um curso porque deseja aprender.

Mas também pode se perguntar:

“Estou escolhendo isso porque realmente quero ou porque estou tentando evitar algo que me assusta?”

Essa pergunta não precisa produzir culpa. Ela pode produzir consciência.

Nem todo prazer precisa transformar a nossa vida. Mas é importante perceber quando prazeres previsíveis estão ocupando o espaço de experiências que poderiam ampliar a nossa realização, os nossos relacionamentos, a nossa vida profissional e a nossa relação conosco.

A ansiedade pode tentar nos proteger do desconhecido. O autoconhecimento pode nos ajudar a perceber quando essa proteção começa a se transformar em uma prisão.

O próximo passo é permitir que a vida tenha espaço para aquilo que ainda não oferece garantias, mas pode oferecer encontro, prazer, descoberta e transformação.

Você não precisa conhecer todo o caminho para começar. Precisa reconhecer o que está impedindo você de caminhar.

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