Em 2026 eu celebro 10 anos da Tsara Raio Luz do Oriente, hoje conhecida como TRO – Tsara Rayo Oriente.
Muitas alunas e seguidoras ainda me perguntam por que decidi mudar o nome, o logotipo, a razão social e o posicionamento da marca.
Sim, a TRO é uma empresa. E, para muitas pessoas do meio espiritual, assumir isso pode parecer estranho ou até errado.
Mas foi justamente essa percepção que se tornou uma das razões mais importantes para essa mudança de posicionamento. Ao longo deste artigo, vou explicar melhor essa decisão.
A importância de revisitar a própria história
De tempos em tempos, é importante revisitar nossa história pessoal e compreender as razões pelas quais amadurecemos, fazemos determinadas escolhas e ajustamos rotas.
Se você ainda não conhece minha trajetória e os motivos que me levaram a fazer uma transição de carreira do ambiente corporativo para o universo holístico, vou compartilhar brevemente essa história para contextualizar o novo posicionamento da TRO.
Minha história com a espiritualidade
Nasci em um lar umbandista há 40 anos. Sou filha de uma ex-umbandista, hoje cristã, e de um pai católico não praticante.
Meu pai acompanhava minha mãe nas giras e acabou se tornando simpatizante da Umbanda ao vivenciar de perto sua rotina espiritual. Minha mãe era médium de incorporação e transporte.
Quando eu tinha 12 anos, minha mãe decidiu sair da Umbanda e se tornar cristã. Eu e minha família passamos a acompanhá-la na igreja — aquela conhecida por um episódio polêmico envolvendo Nossa Senhora Aparecida (você provavelmente sabe qual é).
Assim, permaneci no cristianismo, muitas vezes mais por pressão e intimidação familiar, até os meus 27 anos.
Meu contato com o Baralho Cigano
Entre os 21 e 27 anos comecei a frequentar consultas com diversas cartomantes, tanto presenciais quanto online.
Talvez você se identifique com isso: essa é uma fase da vida em que estamos muito inseguras, e as cartas acabam sendo um bálsamo para ajudar nas decisões.
Meu principal tema, claro, era amoroso.
E, para confirmar as respostas, eu recorria a um site chamado Guru Web, da Globo.com. As “millennials” da minha geração provavelmente vão lembrar disso.
O retorno à Umbanda e a transformação espiritual
Quando completei 28 anos — período conhecido na astrologia como retorno de Saturno — eu já havia vivido inúmeras decepções: amorosas, profissionais e até traições de amizades.
Foi aquele momento clássico da vida em que nos perguntamos:
“Onde foi que eu errei? Eu sou uma pessoa tão boa… por que essas coisas estão acontecendo comigo?”
Foi então que me lembrei da Umbanda.
Lembrei do acolhimento, da amorosidade e, principalmente, da ausência de julgamentos durante um atendimento espiritual.
Essa porta espiritual e profundamente humana me acolheu em um momento de dor. Minha gratidão foi tão grande que mergulhei no caminho espiritual.
Estudei, fiz meu desenvolvimento mediúnico, tornei-me médium de passe e passei a integrar a casa espiritual. Mais tarde, com autorização dos dirigentes, me afastei para me formar sacerdotisa de Umbanda e abrir o TEUVO — Templo Escola de Umbanda Ventos do Oriente, hoje já encerrado.
O padrão que comecei a observar nos atendimentos
A Umbanda é um caminho espiritual pelo qual tenho profunda gratidão. Mas, como boa geminiana inquieta e curiosa, comecei a observar um padrão recorrente entre os consulentes que buscavam atendimento.
Em grande parte, assim como eu no passado, muitos chegavam em um lugar de vitimização.
Perguntas comuns eram:
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“Por que as pessoas têm tanta inveja de mim?”
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“Será que fizeram algum trabalho espiritual contra mim?”
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“Estou pagando alguma dívida cármica de vidas passadas?”
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“Por que sou perseguida no trabalho?”
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“Por que minha família compete comigo?”
Percebe algo em comum em todas essas perguntas?
Em todas elas existe um posicionamento de impotência, espera ou culpa externa.
A caridade espiritual e seus limites
É claro que quem busca um atendimento espiritual ou oracular está enfrentando desafios. Esse não é o ponto central.
O que me inquietava era perceber que muitas pessoas, mesmo inconscientemente, desejavam permanecer nesse lugar de vítima.
Às vezes para continuar recebendo ajuda gratuita.
Às vezes por medo de assumir uma transformação real.
Ou por acreditar que todos os problemas eram apenas espirituais.
Existe uma frase muito conhecida:
“A Umbanda é caridade.”
E sim, ela é. Mas não quando falamos de consulta oracular profissional, formação em Baralho Cigano ou desenvolvimento mediúnico estruturado.
Outra questão que me incomodava era perceber que muitos consulentes frequentavam as giras semanalmente em busca de ajuda espiritual, mas quando a casa solicitava apoio para projetos sociais ou manutenção do espaço, poucos se disponibilizavam.

O nascimento da TRO – Tsara Rayo Oriente
Foi justamente nesse momento de reflexão que nasceu a TRO – Tsara Rayo Oriente.
A ideia sempre foi criar uma casa voltada para mulheres com maior nível de consciência espiritual, que desejam assumir responsabilidade pela própria evolução.
Quero deixar algo muito claro, Radyante: De forma alguma estou me opondo à Umbanda ou à sua liturgia.
A Umbanda foi fundamental na minha transformação espiritual, e sou profundamente grata por tudo o que vivi nesse caminho.
No entanto, com o nível de consciência que tenho hoje — inclusive como psicanalista — entendo que ela foi uma porta importante que me conduziu a outros caminhos espirituais.
Hoje não me identifico mais com nenhuma religião específica, embora admire profundamente a Umbanda, o Budismo e o Kardecismo.
Atualmente, tanto eu quanto a TRO nos definimos como espiritualistas: acreditamos no espírito e na dimensão espiritual, mas sem vínculo religioso.
O novo posicionamento da TRO
Se antes a Tsara Raio Luz do Oriente era uma casa espiritual cigana e o TEUVO uma casa umbandista, hoje a TRO se tornou algo diferente.
Continuamos sendo uma casa espiritual, mas que também olha com profundidade para:
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o feminino ferido
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as dores da alma
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conexões reais espiritualistas
- Ferramentas de conexão espiritual e autoconhecimento
Hoje oferecemos serviços, atendimentos e mentorias para mulheres que não se colocam mais em posição de vítima.
São mulheres que:
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reconhecem seu valor
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desejam prosperar emocional e profissionalmente
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buscam protagonismo em suas vidas
O novo perfil das minhas consulentes
O perfil das minhas consulentes mudou completamente.
Hoje elas não buscam gratuidade, não se colocam em posição de vítima e raramente fazem perguntas clássicas da cartomancia como:
“O meu ex vai voltar?”
Elas buscam orientação estratégica e espiritual para questões mais profundas, como:
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melhorar seus relacionamentos
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encontrar um relacionamento saudável
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sair de relações tóxicas
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reposicionar seus negócios
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atrair os clientes certos
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vencer a procrastinação
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melhorar a gestão do tempo
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estruturar presença digital
Grande parte das minhas mentoradas são psicólogas, psicanalistas, médicas, advogadas, empreendedoras e terapeutas que desejam alinhar espiritualidade feminina, vida familiar, propósito e posicionamento profissional.

Posicionamento de marca também é evolução espiritual
Percebe, Radyante, como o posicionamento de marca correto transforma a comunicação e atrai a audiência certa?
Quando você comunica com clareza quem é, para quem trabalha e qual transformação oferece, o seu trabalho passa a impactar profundamente a vida das pessoas que chegam até você.
Agora me conta nos comentários:
Em qual fase você conheceu a Tsara?
Na época da Tsara Raio Luz do Oriente ou agora, como TRO – Tsara Rayo Oriente?
Vou adorar conhecer melhor a sua história.
Sibele Alves — Taroterapeuta, Publicitária e Mentora de Mulheres Empreendedoras.

