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Conteúdos sobre Espiritualidade Feminina, Taroterapia e Feminino Ferido.

Quando a ansiedade rouba o presente: o medo do futuro pode nos impedir de viver o que desejamos?

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Sibele de Andrade

Sibele de Andrade

Sou taroterapeuta, publicitária e psicanalista, com 15 anos de experiência e resultados práticos guiando mulheres em jornadas de transformação profunda. Acredito que o verdadeiro sucesso nasce do equilíbrio entre autoconhecimento e expressão, entre cura e criação, entre alma e estratégia.

Uma reflexão sobre ansiedade, medo do futuro, autoconhecimento, escolhas e a coragem de permanecer no presente.

Recentemente, me recordei de uma entrevista que concedi, em 2019, para a rádio CBN sobre ansiedade. Na época, o propósito da entrevista era compreender se conhecer as inúmeras possibilidades que o futuro nos reserva poderia ser um gatilho para a ansiedade ou se estar diante do novo poderia nos trazer mais esperança e até mesmo mais controle sobre como fazer melhores escolhas, em vez de propriamente medo.

A pergunta continua muito atual para mim:

Conhecer as possibilidades do futuro nos ajuda a fazer melhores escolhas ou pode aumentar nossa ansiedade diante daquilo que ainda não aconteceu?

Curiosamente, nesta semana, vivi uma experiência com um consulente de longa data que me fez lembrar daquela conversa.

Pouco antes do atendimento, ele me confidenciou uma insegurança muito semelhante àquela que havia sido discutida na entrevista. Sentia medo de realizar a consulta e, em determinado momento, chegou a pensar em desistir diante da possibilidade de que as cartas desnudassem um futuro trágico, limitante ou paralisante.

Ele não estava diante de um acontecimento ruim.

Estava diante da possibilidade de que algo ruim pudesse acontecer.

E essa diferença diz muito sobre a ansiedade.

Ansiedade e medo do futuro: quando o que ainda não aconteceu começa a nos impedir de viver

A ansiedade pode nos colocar diante de cenários que ainda não aconteceram, mas que são experimentados emocionalmente como ameaças possíveis.

Antecipamos conversas, perdas, fracassos, julgamentos, rejeições e inúmeras outras situações. Pensamos no que pode dar errado, no que deveríamos fazer para evitar determinado resultado e em todas as consequências que ainda nem existem.

E, algumas vezes, começamos a tomar decisões no presente para nos proteger de um futuro imaginado.

Foi exatamente isso que aconteceu com meu consulente.

Ele ainda nem havia iniciado a consulta, mas já estava reagindo emocionalmente àquilo que imaginava que poderia descobrir.

Existe algo muito significativo nessa experiência.

Quantas vezes desejamos nos transformar, ampliar nosso repertório emocional e espiritual e compreender melhor a nossa própria história, mas, diante do desconhecido, escolhemos estacionar no intragável conhecido?

Por mais que exista o desejo de mudança, muitas vezes permanecemos em situações, padrões e relações que já sabemos serem desconfortáveis porque, paradoxalmente, aquilo que conhecemos parece menos ameaçador do que aquilo que ainda não podemos controlar.

A ansiedade pode estreitar nosso campo de possibilidades.

Pode fazer com que deixemos de experimentar algo não porque sabemos que aquilo nos fará mal, mas porque não suportamos a possibilidade de que algo possa sair diferente do que esperamos.

E é nesse ponto que o medo começa a ocupar um espaço que poderia pertencer à escolha.

O futuro pode ser desejado sem precisar ser temido

Confesso que fico sempre muito feliz — e reconheço com encanto — o quanto meus consulentes são corajosos.

Mesmo diante de inseguranças absolutamente válidas, muitos escolhem enfrentar suas sombras, olhar para suas histórias e se permitir conhecer aspectos de si mesmos que prefeririam continuar evitando.

É importante dizer que a Taroterapia não tem como objetivo apresentar um futuro inflexível ou irremediável, como se existisse um destino previamente escrito que precisasse ser cumprido.

As cartas não deveriam nos retirar a capacidade de escolha.

Ao contrário.

Na minha compreensão, a simbologia das cartas pode nos ajudar a olhar para a nossa história, para o momento presente, para os padrões que repetimos e para as possibilidades que se apresentam, justamente para que possamos fazer escolhas mais conscientes.

Sempre lembro da generosidade de Deus e de sua tamanha confiança em nós quando nos concedeu o livre-arbítrio.

Quanto mais investimos no desenvolvimento pessoal e nos dispomos a olhar para nós mesmos como seres vivos, pulsantes e desejantes, mais conseguimos compreender a imensidão da complexidade que existe em cada um de nós — com nossas luzes e sombras.

A partir daí, também podemos desenvolver mais compaixão pelos nossos erros, pelo nosso passado e pelas escolhas que fizemos quando ainda não tínhamos os recursos que temos hoje.

O futuro, então, deixa de ser uma sentença.

Passa a ser uma possibilidade construída a partir das escolhas que fazemos no presente.

Ansiedade, piloto automático e a dificuldade de escutar a si mesma

Vivemos em uma sociedade que nos vende performance o tempo inteiro.

Existe um padrão quase permanente de produtividade, sucesso, beleza, relacionamento, maternidade, carreira, espiritualidade e evolução que parece nos dizer como deveríamos estar vivendo.

As diferenças são frequentemente desqualificadas. O erro é tratado como fracasso. A vulnerabilidade pode ser interpretada como fraqueza.

E, diante da imensidão do ambiente online e também dos nossos próprios núcleos familiares, muitas pessoas passam a viver sob o receio constante de serem julgadas, criticadas ou expostas.

Ao mesmo tempo, somos incentivados ao imediatismo.

É preciso responder rapidamente, produzir rapidamente, decidir rapidamente, melhorar rapidamente.

Quase não sobra tempo para perguntar:

O que eu realmente desejo?

Isso faz sentido para mim?

Estou escolhendo ou apenas reagindo?

Estou vivendo a minha vida ou tentando corresponder àquilo que esperam de mim?

A ansiedade não nasce apenas das exigências da sociedade, é claro. Ela é uma experiência complexa, que envolve aspectos biológicos, psicológicos e contextuais.

Mas não podemos ignorar o quanto o modo como vivemos pode interferir na nossa saúde mental, na qualidade das nossas relações e na nossa capacidade de perceber o que realmente está acontecendo conosco.

Na perspectiva espiritual que também orienta o meu trabalho, esse afastamento pode ser compreendido como uma desconexão da nossa essência, da nossa sabedoria interior e do nosso espírito.

Quando nos distanciamos de nós mesmos por tempo demais, podemos acabar seguindo estilos de vida que pouco têm a ver com aquilo que verdadeiramente somos.

E, para mim, desenvolver-se não significa simplesmente tornar-se mais produtivo, mais forte ou mais eficiente.

Significa também voltar a escutar aquilo que existe dentro de nós.

Mas o que fazer quando a ansiedade nos interdita e limita justamente a nossa capacidade de fazer escolhas no agora?

Autoconhecimento e ansiedade: olhar para dentro sem violência

Antes de continuar, considero importante dizer que nenhum processo de desenvolvimento pessoal precisa ser performático ou violento.

Não precisamos abrir todas as gavetas do nosso inconsciente de uma única vez.

É possível olhar para a nossa história de maneira gradual, respeitando o nosso tempo e reconhecendo que algumas questões precisam ser elaboradas com cuidado — e, em determinados casos, acompanhadas por profissionais de saúde mental.

Gosto de pensar que algumas dessas gavetas são abertas somente quando estamos preparados para olhar o que existe dentro delas.

E essa é uma das maiores delicadezas de um processo de autoconhecimento:

não transformar o ato de conhecer a si mesmo em mais uma obrigação de desempenho.

Não precisamos descobrir tudo hoje.

Não precisamos resolver toda a nossa história hoje.

Precisamos estar presentes o suficiente para perceber qual é o próximo passo possível.

O presente é o único lugar onde podemos agir

Faz parte desse processo — e por isso considero tão importante a simbologia das cartas — contar a história da própria vida.

Passado e presente, principalmente.

Não para encontrar uma sentença sobre aquilo que irá acontecer, mas para compreender quais padrões, escolhas, desejos e possibilidades podem estar influenciando a maneira como construímos o nosso futuro.

O passado pode ser revisitado, compreendido e ressignificado.

O futuro pode ser imaginado, planejado e desejado.

Mas nenhum dos dois pode ser vivido agora.

O presente é o único lugar do tempo em que podemos efetivamente agir.

E é justamente por isso que retornar ao presente é uma das experiências mais importantes de qualquer processo de autoconhecimento.

Foi isso que aconteceu naquela consulta.

Aos poucos, a pergunta deixou de ser:

“O que vai acontecer comigo?”

E passou a ser:

“O que eu posso fazer comigo diante daquilo que estou vivendo?”

Essa mudança parece pequena, mas não é.

Quando conseguimos sair da tentativa de controlar aquilo que ainda não aconteceu e voltamos nossa atenção para aquilo que está, de fato, ao nosso alcance, recuperamos algo precioso:

nossa capacidade de escolha.

Sair melhor do que entrou

Uma das premissas do meu trabalho é que o consulente precisa sair do atendimento melhor do que entrou.

Isso não significa sair sem problemas, sem dúvidas ou sem ansiedade.

Significa sair com mais recursos para lidar com aquilo que está vivendo.

Durante a consulta, compartilhei com ele um pequeno mapa de desenvolvimento, reunindo ferramentas holísticas e devocionais, práticas de reflexão e outros recursos que poderiam ajudá-lo a retornar ao momento presente quando percebesse que a ansiedade estava novamente o levando para cenários futuros.

Também conversamos sobre a importância de assumir responsabilidade pelo próprio processo de desenvolvimento e de conhecer ferramentas que possam favorecer esse reencontro com a própria sabedoria interior.

Ao final, ele me contou que saiu feliz.

E saiu até com fome.

Pode parecer um detalhe banal, mas achei bonito.

Depois de uma consulta que começou atravessada pelo medo do futuro, ele havia conseguido retornar para a vida concreta, para o corpo, para o presente.

Mais importante ainda: saiu sabendo como agir a partir daquilo que havia compreendido.

Ele não saiu da consulta com todas as respostas sobre o futuro.

Saiu com algo que considero muito mais importante:

presença para viver o presente e clareza para escolher os próximos passos.

Você não precisa conhecer o futuro para começar a transformá-lo

Se você, assim como eu e muitos dos meus consulentes, também convive com a ansiedade, é importante lembrar que sentir ansiedade não significa que você esteja falhando.

A ansiedade faz parte da experiência humana.

O que merece atenção é quando ela começa a limitar significativamente a nossa vida, interferindo no nosso bem-estar, na nossa capacidade de escolha, nas relações, no trabalho, no sono ou em outras áreas importantes do cotidiano.

Nesses casos, buscar ajuda profissional é um ato de cuidado consigo mesma. A psicologia e a psiquiatria possuem recursos importantes para compreender e tratar diferentes manifestações de sofrimento psíquico, e a Taroterapia não substitui esse acompanhamento quando ele se faz necessário.

Neste Setembro Amarelo, período em que ampliamos a conversa sobre saúde mental e prevenção do suicídio, também considero importante lembrar que cuidar de si não precisa começar somente quando chegamos ao nosso limite.

Pode começar antes.

Pode começar com uma pergunta.

Pode começar com a coragem de reconhecer que alguma coisa não está bem.

Pode começar com a decisão de sair do piloto automático.

E pode começar, simplesmente, voltando para o presente.

A pergunta mais importante não é:

“O que vai acontecer comigo?”

Mas:

“O que estou fazendo hoje com aquilo que está acontecendo comigo?”

O futuro não precisa ser conhecido em todos os seus detalhes para que possamos caminhar em sua direção.

Precisamos recuperar a capacidade de estar presentes o suficiente para perceber que ainda temos escolhas.

E é justamente aí que começa o nosso florescimento.

Se você sente que precisa desse ancoramento no presente, deseja utilizar o Tarot ou o Baralho Cigano como ferramentas de reflexão sobre o seu momento e busca uma orientação acolhedora para compreender melhor seus caminhos, conheça a experiência da sessão de Taroterapia.

Com carinho,

Sibele

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